Seu nome sobre o meu Meu nome sob o seu Conjunção nominal Metáfora sexual Sonho literal.
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O destino das sementes
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Infatigáveis, lançávamos as sementes O céu dava esperança de chuva Pés de pó e cabeça d’água sonhávamos com brotos alvissareiros e colheita farta São tantas de feijão e tantas de milho Não esqueça! Os pés encerravam nas covas as sementes E o sonho de feijão verde com nata afastava o sol quente. À noite, rezávamos por chuva E sonhávamos com o cheiro de melões no roçado Será preciso espantar os passarinhos E os silos talvez sejam pequenos. Mas barulho algum se ouvia na cerâmica encardida do telhado O verde não vem A vida fenece na terra seca como a criança que morre no ventre da mãe Oh, Deus, não queremos o destino das sementes!
Um dia
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Um dia, não faz tempo fiz um fotograma de suas ebúrneas coxas margeadas pelas flores do vestido. Naquele tempo. Existia tempo? você chegava quase sempre depois do combinado (depois disse que eu sorria ao abrir a porta) para o jantar de um cozinheiro aprendiz. Nesse tempo, que era fora do tempo, a casa era uma ilha e você, nua em seus domínios, descobria novidades musicais. Falávamos de família, política e de cicatrizes de infância enquanto você lavava os pratos com fingida indignação. Então eu adentrava para além das margens e você voava, cabelo de fogo contra o vento amazona num cavalo alado. Foi naquele dia, não faz tempo. .
Só me vejo
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Passei por tenebrosos vales E vaguei pela noite sozinho. Antes, conheci a vida que era sonho Mas, quem escolhe as cartas no jogo? Hoje, embora só, sinto aquela paz E mais um pouco, e com outro sabor, talvez. Tranquilo como um lago na floresta. Forte como rio que se lança em cachoeiras. Tenho minha casa segura como o ninho do falcão. Meu coração se alegra quando as folhas ficam verdes E outro tanto quando caem secas por necessidade. Tudo é beleza. Tomado por um desejo de aperfeiçoamento Meu corpo vibra e quer fazer vibrar. Uma força que não sabia existir me impulsiona. E mesmo a odiosa injustiça parece vencível. Mas você ainda não percebeu. Estou pronto. Venha. (Jorge Ogum)
Apaixonite
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A paixão é doença perigosa Que infelizmente não se cura por osmose Ela aumenta os batimentos cardíacos Faz subir a taxa de glicose E o doente pensando em sua cura Já em transe e à beira da loucura Só deseja morrer de overdose. A paixão nos embota a consciência E confunde qualquer discernimento Nos faz ver traição numa amizade E o cabra se torna ciumento Já tem tudo, mas acha que é metade Crê em lendas, se afasta da verdade Quer ser meigo, mas fica rabugento. E se o pobre enfermo de paixão Não encontra o remédio condizente Se daquele a quem ama ouve “Não” Mas insiste em nadar contra a corrente Fatalmente ele irá se afogando Mas enquanto naufraga vai pensando Que o outro lhe deve amor ardente. Se um deus ou um anjo do Além Faz unir dois doentes de paixão O desejo de ser correspondido Faz crescer inda mais a ilusão Para eles a vida é doce e mel Até mesmo o inferno vira céu Só no outro um encontra distra...
Lago e Cidade
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Vivo na cidade que não é normal Pertinho dum lago artificial Água represada Desejo contido Gozo reprimido Antinatural! Por que dizer isto? Não vê a beleza? Cidade, cultura Lago, natureza. E os dois abraçados Coito original Inspirando os homens a um amor igual. Prefiro as cidades que nascem sem nexo. Que têm ruas tortas, desenho complexo. Ladeiras e esquinas são minha paixão. E paralelepípedos que cobrem o chão. E o sol que brilha no céu azulado? E a beleza torta do nosso cerrado? Palácios modernos, pura poesia! E as praças, terreiros da democracia! Não vê nossa gente a mistura que tem? E a urbe que clama: misture-se também! Pode até ser bela, mas não tem calor. Em mim não provoca todo esse amor As suas distâncias separam as gentes, que por não se amarem, não se encontrarem São indiferentes. Veja que o lago é tranquilidade A cidade é bela E beleza é verdade. Sou lago incontido Você é cidade. Estamos partidos Metade e metade. Venha reunir Desejo e vontade Abraço perfeito Natural...
Augúrio
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Você queria colher lavanda Eu só beijar. Sempre íamos em direções opostas Eu nunca chegava lá. Você sugeriu observar os pássaros Como os romanos antigos. Eu mirava o céu Você o umbigo. Avistei uma andorinha E você reclamou da luz solar. Vi um trinta-réis a caminho do frio do sul E lembrei que 90% do iceberg fica sob a água do mar. Você era ave de outras paragens Canora e de arribação. Eu maçarico-solitá rio Sem vocação pra gavião. E voltamos às lavandas sem que você visse passarinho. Difícil tarefa é ser adivinho. (Jorge Ogum)
Cântico dos meus cânticos
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Conta a lenda que um filho de Davi Errava pelos desertos de Israel E que solitário como um eremita Procurava um caminho para o Céu. Com a vista embaçada por miragens Do Paraíso desistia a sua alma Quando viu bem ao longe uma ramagem E o seu coração voltou à calma. Num oásis, a cena imprevisível Uma índia dormia nua e bela À sombra de arbustos cuja forma Parecia o salão duma capela. Tu que ouves e acionas a Razão E o improvável te faz até sorrir Se à beleza da cena dizes não Imagina o filho de Davi. O barulho da água que brotava E o corpo nu assim dormido ao léu Fez-lhe crer que agora se encontrava Não perdido, mas às portas do Céu. E ninguém é capaz de conhecer O que naquele oásis se passou. E os prazeres que ele ousou viver Logo que a selvagem acordou. É que a fêmea misteriosa e brejeira Abriu-se para o filho de Davi E exalava flor de laranjeira Que até mesmo o Senhor pôde sentir. Diz-se então que o deserto ve...
Medo do Escuro
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De minha caverna envidraçada Vejo carros, luzes e passantes Um menino que brinca alegremente E ao fundo a cidade iluminada Sozinho em minha gruta moderna Espero chegar a madrugada E miro por um buraco na pedra O que ocorre na selva da calçada E às vezes a Lua companheira Me faz esquecer a solidão E pensar que talvez hoje apareça Quem vai aquecer meu coração Num canto mais escuro me recolho E espero o sono aparecer E os uivos das feras ficam longe... E os sonhos me levam a você. (Jorge Ogum)
Por la tarde
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Había máscaras, el lago y la ciudad artificial. Había agua debajo del muelle. El sol arriba... y la luna también. La iglesia cónica y las terrazas incas. Había viento después del calor y el silencio alrededor. Había un sapo cantante y una lechuza silenciosa y un sapo silencioso y una lechuza hablante... Había un puente distante y una torre alta y una pareja en el camino... Había historia de civilizaciones perdidas en el pasado y de civilizaciones perdidas en el presente. El universo de afuera y el de adentro. Había un beso. No había nada.
As Máscaras
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Vi uma máscara africana na sala de um apartamento high tech. Uma máscara dos guerreiros da Jutlândia na sacristia de uma catedral. As máscaras estão em todo lugar. Servem a todos os gostos. Usei uma máscara de Ogum no dia de São Jorge. Uma máscara veneziana me ajudou a arrumar um amor de carnaval. Uma máscara de anjo era o que eu precisava no dia em que cheguei tarde em casa. Uma máscara de mulher me serviu prá ouvir segredos femininos. A de criança é útil quando quero cafuné. Máscara de demônio ajuda a fazer umas maldades. Máscara de santo também, com a vantagem de parecerem bondades. A de sabido sempre agrada os velhinhos. E a de bad boy faz as mina se interessarem... Máscara de rico é boa prá ir às compras. Mas é a de pobre que dá pontos no programa de milhagens do Paraíso. Há também a minha máscara de cidadão ordinário com RG, CPF e carteira de trabalho. De tanto usá-la, esta desbotada... Preciso ir de novo à Feira do Paraguai onde ela foi comprada. (Jorge Ogu...
Hai Kais de Maraú
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João saiu prá pescar Maria, prá comprar dendê. Entrei no mar Merglup! Champagne à noite em Maraú Sabor frutado, Cruzeiro do Sul. Bicicleta amarela Mar verde Nariz vermelho (só vi no espelho). Ela ficou preta na Praia Tomara que o biquíni caia. Vi com meu paladar Uma pititinga na areia de farinha a nadar. Havia uma deusa africana na praia do Mutá E ainda dizem que África está do lado de lá. Luiza de arena hizo una ciudad Porque así son todas en verdad. Nas férias, depois de uma caipirosca, tudo é permitido. Até mesmo se fazer de poeta.
O Cozinheiro do Panamá
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Limpei mato na enxada Fiz picada no facão Com a pá e a picareta Cavei cova e cacimbão No machado cortei lenha Fui peão na construção Atirei com cartucheira Matei paca e arribação Hoje boto o panamá Não vejo contradição Lavo, limpo, esfrego e seco O avental é meu gibão Corto a carne, amasso o alho Vai cominho e pimentão Na panela boto óleo E um pouco de açafrão E enquanto pastoro o fogo Vou chegando à conclusão Que se um dia fui roceiro Hoje eu sou um cozinheiro Motorista de fogão
O amor, segundo Patativa do Assaré
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Em entrevista ao pesquisador Gilmar de Carvalho , o poeta cearense Patativa do Assaré explica que também faz poesia que fala de amor. Vejamos um bonito trecho da entrevista: “Gilmar Carvalho – Patativa gosta de poesias sociais, mas também gosta de uma poesia apaixonada? Patativa do Assaré – É, mas, não tenho muita poesia apaixonada, não. É.. quase não tenho. Eu tenho é... só poesia... quase só poesia social. Eu tenho também poesia... Bem no cimo do monte florescente, em lembrança do nosso amor passado, ainda encontra-se exposto a sol ardente um casebre sem dono, abandonado. Quando às vezes por lá passo chorando, recordando da vida uma passagem, no terreiro da choça me acenando, me parece surgir a tua imagem. Outras vezes eu penso estar ouvindo, na pequena varanda da casinha, teu cantar sonoroso, belo e lindo, na bela entoação de uma modinha. Penetro na palhoça com cautela, Procurando te ver, mulher amada, mas tudo quanto encontro dentro dela são corujas, morcegos e mais nada! Então, o ...
Berijela e abobrinha ao forno
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Nem só de pão vive o homem, não é mesmo? É bom que o pão venha acompanhado de alguma coisa. Pode ser uma simples manteiga, mas se for uma pasta de bejijela, presunto ou queijo, fica melhor. Apresento abaixo minha sugestão. É a "Berijela e abobrinha ao forno". Alguém pode dizer que isso se chama bruschetta, mas eu não chamo assim não. Aqui só o pão é italiano. Quem já provou esta receita gostou muito. Vamo lá. Receita (Serve 4 pessoas no máximo) Ingredientes 1 berijela média 1 abobrinha itália 2 Cebolas 400 gramas de tomate cereja ( pode ser tomate comum em rodelas,mas o cereja é insuperável) 1/2 pimentão vermelho Azeitona descaroçada a gosto Alho e sal a gosto (o alho, pode ser uns seis dentes grandes ou mais) Azeite Manjericão Modo de fazer: (É só misturar tudo) 1. Corte a berinjela, a abobriha e a cebola em cubos (do tamanho da falange do dedo indicador); 2. Corte o tomate cereja em duas partes; 3. Pique o pimentão; 4. Amasse o alho, pode deixar uns pedaços inteiros tam...
A Educação e o pré-sal
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Nos últimos dias, a mídia tem comentado muito sobre um assunto que dividiu o país: a distribuição dos royalties do pré-sal. Embora mereça a atenção da opinião pública, considero que esse não é o debate mais importante no que diz respeito aos recursos advindos dos novos poços petrolíferos. Maior relevância merece o Projeto de Lei nº 07/2010, que cria o Fundo Social do pré-sal, atualmente no Senado. Ele envolve a discussão sobre a forma de utilização desse “bilhete premiado”, como disse o Presidente Lula, embora não saibamos ainda o tamanho do prêmio. Há duas questões de fundo no debate sobre como investir os recursos que virão com exploração riqueza recém descoberta: a primeira é como utilizá-los sem prejudicar o Brasil. Parece absurdo dizer isso, mas não é. Quem nunca tomou conhecimento daquelas pessoas que ganham na loteria, e ficam sem saber o que fazer com o prêmio? Elas saem gastando: compram bens supérfluos, esbanjam. E quando se dão conta, estão pobres de novo. Pois é isso que...
Minha Escola
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A poesia de cordel tá no sangue do nordestino. Meu pai não é exceção. Espero que o gene da poesia que adormece no meu DNA um dia acorde. Enquanto isso não acontece, posto aqui os versos do Seu Raimundo. Ele fala da educação que recebeu, ou, dizendo melhor, não recebeu (segundo o julgamento dele). Na minha opinião, ele é um sábio. Me criei quase cativo num tempo muito esquisito. O conselho era uma surra o telefone era um grito. Não tinha nada bonito ninguém num tinha razão. Fiquei velho no sertão, não conheci a cidade. Estudei na faculdade de enxada, foice e facão. O meu livro era uma roça. A caneta era uma enxada. Pé descalço, pele grossa. A roupa toda rasgada. Só não fiz pedir esmola. Nunca freqüentei escola. De estudo eu não sei de nada. Raimundo Nonato
Vc sabe quem
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Postei ontem a foto de uma velhinha dançando polca Foi visitada por dez milhões de internautas. Meu vídeo sobre o comportamento sexual das top models Recebeu 1300 comentários. Alguém afirmou que transar com um pé de alface é coisa de pervertido. Meu post sobre o comportamento eleitoral das patricinhas Foi chamado de parcial pela mídia tradicional e proibido na maioria dos shoppings. O flasmob que eu organizei não colou. Das 700 pessoas que compareceram, 500 eram jogadores de futebol. Baixei uma palestra sobre as idiossincrasias sintáticas do sueco Mas decidi deletar porque meu pen drive de 16 gigas estava cheio. Encomendei uma biografia do Steve Jobs Mas desisti de ler livros físicos e pedi uma pizza sabor maçã. Meu álbum no Facebook provocou ira na Igreja Católica O bispo afirmou que minhas fotos incitam à prática dos pecados capitais. Recebi e-mail de um tataraneto de Lampião. Deletei pensando que era um spam. Descobri depois que se tratava de um vírus com capacidade para destruir to...
Estômago
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Vi nesse fim de semana o excelente filme Estômago (Brasil/Itália, Diretor Marcos Jorge, 2008, 112 min). O filme conta a estória de Raimundo Nonato (interpretado por João Miguel) no mundo da culinária, da comida e do sexo. O ato de comer é a metáfora para entender a nossa sociedade, as relações de poder, de trabalho e de amor. Estômago é, a um só tempo, humorado e sombrio, suave e brutal. É como a comida que mais gostamos: se comemos demais, podemos passar mal. Por meio de uma montagem inteligente, Estômago nos mostra como Nonato, inicialmente tímido, foi parar na cadeia e como utiliza a arte de cozinhar para sobreviver (e algo mais...) dentro da prisão. Assisti Estômago no sábado e, no domingo, fui pra cozinha fazer o meu "bom e tradicional espaguete à bolonhesa", como disse o meu filho. Fiquei pensando sobre as relações de poder que se estabelecem em torno do alimento. Quem tem comida, ou quem sabe prepará-la, exerce poder. Cozinhar é uma arte. A obra de arte é destruíd...
Renovar... e realizar as esperanças em 2010
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Há quem diga que a esperança é um sentimento que anestesia e impede de olhar para a realidade. Eu não acho. Podemos sempre renová-la em nosso coração, com os pés no chão. Que neste Natal todas as suas esperanças se renovem! Como no poema de Mário Quintana. Espero que não considerem minha mensagem desesperançada. Muito ao contrário. Não há mal nenhum em dizer que nos alimentamos de sonhos. Viva o sonho em 2010!!!!! Eis o poema do Quintana. Gostei tanto que escolhi como símbolo da esperança em 2010. Mas, é claro, quero que os sonhos se realizem... ESPERANÇA Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano Vive uma louca chamada Esperança E ela pensa que quando todas as sirenas Todas as buzinas Todos os reco-recos tocarem Atira-se E — ó delicioso vôo! Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada, Outra vez criança... E em torno dela indagará o povo: — Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes? E ela lhes dirá (É preciso dizer-lhes tudo de novo!) Ela lhes dirá bem devagarinho, ...
Sobre o dinheiro e a felicidade
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O dinheiro não traz felicidade: traz facilidades. E ter uma vida fácil não implica necessariamente ter uma vida feliz. Nosso quociente de felicidade não deve ser medido pela quantidade de dificuldades ou problemas por que passamos, mas sim pela nossa capacidade potencial de superá-los sem sobressaltos; quanto maior o segundo, tanto menor o primeiro. A felicidade é um estado de espírito que, uma vez alcançado, para sempre nos acompanhará sem corrermos o risco de perdê-lo como perdemos, por exemplo, as facilidades trazidas pelo dinheiro quando nos endividamos. É bem verdade que almejamos ter recursos suficientes para pagar as aquisições que desejamos fazer. Ma não está aí a panaceia para os nossos males, as nossas tristezas e angústias. Dito isso, a questão maior que se apresenta e o grande desafio que surge é responder à seguinte indagação: como alcançarmos então esse estado de espírito? Mesmo não havendo fórmulas prontas (já que a resposta pode variar de pessoa para pessoa), é possível...
Serei eu, Senhor?
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É da nascente, é do córrego É do riacho, é do laguinho É do rio, que não tem peixe É do mangue, é do berço É com areia, é da praia Edmar Rafael & Nicholas (1º semestre/2009) Rafael & Nicholas são meus alunos na disciplina Sociologia da Educação no curso de Pedagogia da FACITEC. Perceberam logo que meu nome se presta a uma certa megalomania. É isso mesmo. Sou um megalonanico! Prá eles não basta que eu seja "de mar". Sou também de rio, lago, riacho... Só não entendi porque o rio "não tem peixe". Ô meninos, botem um peixe-mulher neste meu poema!!!
Sobre o filme Billy Elliot
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A estória de Billy Elliot, o menino filho de operários ingleses que vence todas as resistências e se torna bailarino, nos permite conhecer muito mais que um drama pessoal. O filme é de 2000, dirigido por Stephen Daldry. Sob os dramas individuais se apresenta um pano de fundo coletivo (ou seria o contrário?) e podemos ver como as biografias se inserem na história. E isto é um problema sociológico fundamental. "No discurso de ontem a primeira-ministra Margareth Thatcher referiu-se aos mineiros em greve como 'inimigos internos' após meses de confronto com a polícia..." Esta frase é dita ao fundo pela televisão enquanto Billy se prepara às escondidas para mais uma aula de balé. De que greve se fala? Qual a razão da greve? A Inglaterra foi o primeiro país desenvolvido a colocar em prática nos anos 80, medidas político-econômicas que ficaram conhecidas como Neoliberalismo: redução da intervenção do estado na economia, cortes nos gastos sociais, privatizações e...
o poema que não fiz*
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é fácil fazer um poema erótico vulvas gemidos e mãos sob o vestido é fácil fazer um poema romântico saudades suspiros e juras de amor eterno é fácil fazer um poema épico cavalos dragões e acordes de assim falava zaratrusta é fácil fazer um poema concreto lápis régua e formas no papel mas eu que nunca escrevi poesia só farei um dia um poema se ele for inclassificável *outro título possível para esse poema (que de fato não existe) é “a modéstia é meu maior defeito”, como diria Raimundinho.
Ela é Brasileira II
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Nossa música ficou entre as três melhores no Festival de Cantigas Beribazu, realizado no dia 24 de junho de 2009, no Teatro Paulo Autran (SESC) em Taguatinga. O evento foi organizado pelo Mestre Léo Borges. O Grupo Beribazu mostrou que a capoeira é corpo e alma. Nasceu Capoeira (Calil, Edmar e Enzo) Mama África chegou no Brasil Tava grávida de capoeira. Na senzala foi que ela nasceu Foi gingando ao redor da fogueira Capoeira nasceu ê Ô Nasceu capoeira. Capoeira nasceu ê Ô Ao redor da fogueira. No quilombo foi que ela cresceu Esquivou do castigo certeiro. Com Oxum, Iemanjá e Ogum E outros santos lá do terreiro. Capoeira cresceu ê Ô Cresceu capoeira. Capoeira cresceu ê Ô Ao redor da fogueira. E no toque do berimbau Capoeira buscou liberdade. Da senzala foi para a favela Livre só pela metade. Capoeira lutou ê Ô Lutou capoeira. Capoeira lutou ê Ô Liberdade é inteira. Ela é dança, ela é luta, ela é ginga. Ela é capoeira. Ela é negra, ela é branca, ela é índia. Mistura brasileira.
Da série: Mil e uma palavras
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Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Então, aí está a foto de Ouro Preto e sua beleza ímpar...e outras tantas palavras. Porque a imagem pode valer muito, mas no princípio era o verbo e, ademais, uma idéia move montanhas. Era isso mesmo? Deixa prá lá...Em todo caso, eis a imagem, eis as palavras. São de Minas. São de Cecília Meireles. A vastidão desses campos. A alta muralha das serras. As lavras inchadas de ouro. Os diamantes entre as pedras. Negros, índios e mulatos. Almocafes e gamelas. Os rios todos virados. Toda revirada, a terra. Capitães, governadores, padres, intendentes, poetas. Carros, liteiras douradas, cavalos de crina aberta. A água e transbordar das fontes. Altares cheios de velas. Cavalhadas. Luminárias. Sinos. Procissões. Promessas. Anjos e santos nascendo em mãos de gangrena e lepra. Finas músicas broslando as alfaias das capelas. Todos os sonhos barrocos deslizando pelas pedras. Pátios de seixos. Escadas. Boticas. Pontes. Conversas. Gente que chega e que p...
Você se lembra?
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Há vinte anos a China era notícia. Mas não era olimpíada. Tampoco eram informações sobre a economia, como é muito comum atualmente. Eram notícias de uma rebelião. A rebelião dos estudantes na Praça da Paz Celestial. Foram massacrados, mas fizeram história. Deixaram, ainda, uma imagem que o mundo nunca esqueceu. Você sabe qual é? Veja aqui. "Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda" Cecília Meireles, no Romanceiro da Inconfidência .
Para não dizer que não falei das flores: Pai Nosso Virtual
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Google nosso que estais no ciberespaço, Lucrativos sejam os vossos interesses econômicos. Venha a nós o vosso link , Seja feita em vós toda pesquisa, Assim no mundo físico como no virtual. A informação nossa de cada segundo nos dai agora. Apagai as nossas dúvidas sobre o vosso conteúdo, Assim como deletamos um spam . E não nos deixeis cair na tentação de visitar sites proibidos Mas livrai-nos do real , Enter
Ela é brasileira
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Os africanos que foram trazidos para o Brasil como escravos praticavam na África, onde viviam em liberdade, diversos jogos e danças ao som de músicas. Aqui, esses homens e mulheres eram vítimas de muitas violências: vendidos como coisas, tinham seus nomes trocados, e não podiam falar seus idiomas, praticar as religiões africanas e tampouco exercer sua cultura. Mas, nas senzalas, negros oriundos das mais diversas partes do continente africano rezavam para os orixás e, sem que o senhor de engenho pudesse perceber (ou entender), foram desenvolvendo uma nova forma de resistência: uma dança/luta que misturava passos de diversas manifestações africanas. Era a capoeira que nascia, disfarçada de dança. Nos quilombos, os negros rebelados puderam jogar capoeira, que depois foi aperfeiçoada nas cidades, após a Abolição, embora a prática da luta fosse reprimida, tendo inclusive sido considerada crime pelo Código Penal da República Velha. Mas há outras versões sobre o surgimento da capoeira. Mestre...
A Doce Vida dos paparazzi
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As colegas de trabalho propuseram e eu topei o desafio de assistir a todos os filmes da lista 100 Filmes Essenciais publicada em 2007 pela revista Bravo! . Nunca colecionei fitas VHS ou DVDs de filmes. Quando não posso ver no cinema, recorro às locadoras. Claro que isso fica cada vez mais difícil, pois filme bom não se acha em qualquer loja, ainda mais depois da crise provocada pelo download . As locadoras estão morrendo à míngua. Mas, se as amigas topavam emprestar, por que não entrar na onda? Diligentes, montaram a lista e decidiram o que ver primeiro. E toma filme. Essas meninas são verdadeiras promotoras da cultura cinematográfica! Quem não quer conviver com gente assim? Então, vamos lá. A lista de Bravo! tem obras prá todos os gostos. Desde os títulos mais antigos até os mais recentes, nos diversos gêneros. Durante todo o ano de 2008, vimos, talvez, um terço da lista. Cada um assiste ao filme em sua própria casa. Então, sempre demora um pouquinho para que todas (os homens somos ...
Cem Anos de Carmen Miranda
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Eduardo Dussek e Rita Ribeiro mostram o que é que a baiana tem no Cecê Bebê de Brasília no quarto e último espetáculo da série Alô Alô! 100 Anos de Carmen Miranda . Apresentando músicas de Ary Barroso, Assis Valente, Dorival Cayme e outros compositores que a Pequena Notável gravou, os dois artistas transportam o público para o clima de um tempo em que a boa música era ouvida pelo povão. A voz e carisma de Rita, ao lado do humor e versatilidade de Dussek empolgam em interpretações como Cachorro vira-lata e A preta do acarajé . Nos intervalos entre as músicas, o pesquisador José Antônio Nonato conta fatos da vida de Carmen. Ficamos sabendo, por exemplo, que Synval Silva, o autor de Adeus, batucada , foi motorista da cantora. Curiosidades à parte, ao assistir a um espetáculo como este pensamos sobre o que a cultura brasileira é capaz de produzir. Carmen, que nasceu em 1909, tem suas músicas cantaroladas até hoje pelos brasileiros, para muito além do estereótipo da baiana (que ela não era...