O destino das sementes
Infatigáveis, lançávamos as sementes
O céu dava esperança de chuva
Pés de pó e cabeça d’água
sonhávamos com brotos alvissareiros e colheita farta
São tantas de feijão e tantas de milho
Não esqueça!
Os pés encerravam nas covas as sementes
E o sonho de feijão verde com nata afastava o sol quente.
À noite, rezávamos por chuva
E sonhávamos com o cheiro de melões no roçado
Será preciso espantar os passarinhos
E os silos talvez sejam pequenos.
Mas barulho algum se ouvia na cerâmica encardida do telhado
O verde não vem
A vida fenece na terra seca
como a criança que morre no ventre da mãe
Oh, Deus, não queremos o destino das sementes!
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