Ela é brasileira
Os africanos que foram trazidos para o Brasil como escravos praticavam na África, onde viviam em liberdade, diversos jogos e danças ao som de músicas. Aqui, esses homens e mulheres eram vítimas de muitas violências: vendidos como coisas, tinham seus nomes trocados, e não podiam falar seus idiomas, praticar as religiões africanas e tampouco exercer sua cultura. Mas, nas senzalas, negros oriundos das mais diversas partes do continente africano rezavam para os orixás e, sem que o senhor de engenho pudesse perceber (ou entender), foram desenvolvendo uma nova forma de resistência: uma dança/luta que misturava passos de diversas manifestações africanas. Era a capoeira que nascia, disfarçada de dança.
Nos quilombos, os negros rebelados puderam jogar capoeira, que depois foi aperfeiçoada nas cidades, após a Abolição, embora a prática da luta fosse reprimida, tendo inclusive sido considerada crime pelo Código Penal da República Velha. Mas há outras versões sobre o surgimento da capoeira. Mestre Pastinha escreveu que a Capoeira surgiu da mistura do batuque angolano e do candomblé dos jejes, africanos da Costa da Mina, com a dança dos caboclos da Bahia. Outras teorias afirmam que ela começou, na verdade, em Angola a partir de uma dança que se chamava n’golo e que era dançada por rapazes durante o ritual da puberdade das meninas.
“O objetivo do n’golo é vencer o adversário atingindo seu rosto com o pé. A dança é marcada pelas palmas, e, como na roda de capoeira, não se pode pisar fora de uma área demarcada. N’golo significa “zebra” e, de fato, alguns movimentos, em particular o golpe dado pelo pé, de costas e com as duas mãos no chão, parecem mesmo com o coice de uma zebra.” (Revista de História)
O certo é que foi no Brasil que a Capoeira surgiu como conhecemos hoje e, ao longo de sua história, passou por grandes transformações até chegar aos dias atuais como uma das mais importantes amostras da cultura africana em nosso país. O termo “capoeira” refere-se às matas rasteiras existentes no interior do Brasil e que ficavam ao redor das grandes propriedades escravocratas. De acordo com o Dicionário Aurélio, capoeira significa: 1. terreno onde o mato foi roçado ou queimado para cultivo da terra ou outro fim; 2. mato que nasceu nas derrubadas de mata virgem; 3. jogo acrobático constituído por movimentos. O nome vem do fato de que era, muitas vezes, no meio dessa capoeira (mato) que os negros praticam o jogo que veio a se tornar a Capoeira.
Nos anos 30 do século XX, o jogo passou por grande mutação. Mestre Bimba (Manuel dos Reis Machado, 1899-1974) percebeu que a capoeira precisava de uma renovação. A partir do contato que teve com pessoas que o incentivaram a sistematizar as regras da luta, Bimba criou o primeiro método de ensino da capoeira, com as “sequências de ensino”, de forma a transmitir para os alunos os principais movimentos do jogo. Bimba foi capaz de perceber que a capoeira precisava se renovar, uma vez que a sociedade havia mudado e outras lutas marciais começavam a tomar o espaço antes ocupado pela luta dos negros. Assim, ele criou a Capoeira Regional, dando sistematicidade aos movimentos e aos golpes e fazendo com que a luta não se perdesse no tempo como muitas outras danças que faziam parte da vida das comunidades negras e que ficaram no esquecimento no mundo moderno. Ao lado de Bimba, na importância para a manutenção da capoeira como uma manifestação da cultura brasileira, está Mestre Pastinha (Vicente Joaquim Ferreira Pastinha, 1889-1981), o grande mestre da Capoeira Angola.
Hoje a Capoeira ganha o mundo. Presente em diversos países, é um dos principais instrumentos de divulgação da língua portuguesa e da cultura brasileira. Paradoxalmente, ainda há muito a ser feito no Brasil para incentivar sua prática. Só temos a ganhar com isso, afinal, além do aspecto do cuidado com a saúde física e mental, a Capoeira desenvolve nas pessoas que a praticam diversos elementos, tais como: consciência corporal, ritmo, musicalidade, poesia, consciência da história da sociedade brasileira e solidariedade. Ao som do berimbau, não há brasileiro que não balance.
O Ministério da Cultura empreendeu recentemente um trabalho de promoção do jogo por meio do Programa Capoeira Viva. Isso culminou no reconhecimento da Capoeira como Bem Cultural de Natureza Imaterial pelo Ministério da Cultura. É um bom começo, mas ainda é pouco. Agora, é preciso levar a Capoeira para dentro de nossas escolas.
E isso aí, camará.
Quer saber mais? Vá até à página do Grupo Beribazu
Nos quilombos, os negros rebelados puderam jogar capoeira, que depois foi aperfeiçoada nas cidades, após a Abolição, embora a prática da luta fosse reprimida, tendo inclusive sido considerada crime pelo Código Penal da República Velha. Mas há outras versões sobre o surgimento da capoeira. Mestre Pastinha escreveu que a Capoeira surgiu da mistura do batuque angolano e do candomblé dos jejes, africanos da Costa da Mina, com a dança dos caboclos da Bahia. Outras teorias afirmam que ela começou, na verdade, em Angola a partir de uma dança que se chamava n’golo e que era dançada por rapazes durante o ritual da puberdade das meninas.
“O objetivo do n’golo é vencer o adversário atingindo seu rosto com o pé. A dança é marcada pelas palmas, e, como na roda de capoeira, não se pode pisar fora de uma área demarcada. N’golo significa “zebra” e, de fato, alguns movimentos, em particular o golpe dado pelo pé, de costas e com as duas mãos no chão, parecem mesmo com o coice de uma zebra.” (Revista de História)
O certo é que foi no Brasil que a Capoeira surgiu como conhecemos hoje e, ao longo de sua história, passou por grandes transformações até chegar aos dias atuais como uma das mais importantes amostras da cultura africana em nosso país. O termo “capoeira” refere-se às matas rasteiras existentes no interior do Brasil e que ficavam ao redor das grandes propriedades escravocratas. De acordo com o Dicionário Aurélio, capoeira significa: 1. terreno onde o mato foi roçado ou queimado para cultivo da terra ou outro fim; 2. mato que nasceu nas derrubadas de mata virgem; 3. jogo acrobático constituído por movimentos. O nome vem do fato de que era, muitas vezes, no meio dessa capoeira (mato) que os negros praticam o jogo que veio a se tornar a Capoeira.
Nos anos 30 do século XX, o jogo passou por grande mutação. Mestre Bimba (Manuel dos Reis Machado, 1899-1974) percebeu que a capoeira precisava de uma renovação. A partir do contato que teve com pessoas que o incentivaram a sistematizar as regras da luta, Bimba criou o primeiro método de ensino da capoeira, com as “sequências de ensino”, de forma a transmitir para os alunos os principais movimentos do jogo. Bimba foi capaz de perceber que a capoeira precisava se renovar, uma vez que a sociedade havia mudado e outras lutas marciais começavam a tomar o espaço antes ocupado pela luta dos negros. Assim, ele criou a Capoeira Regional, dando sistematicidade aos movimentos e aos golpes e fazendo com que a luta não se perdesse no tempo como muitas outras danças que faziam parte da vida das comunidades negras e que ficaram no esquecimento no mundo moderno. Ao lado de Bimba, na importância para a manutenção da capoeira como uma manifestação da cultura brasileira, está Mestre Pastinha (Vicente Joaquim Ferreira Pastinha, 1889-1981), o grande mestre da Capoeira Angola.
Hoje a Capoeira ganha o mundo. Presente em diversos países, é um dos principais instrumentos de divulgação da língua portuguesa e da cultura brasileira. Paradoxalmente, ainda há muito a ser feito no Brasil para incentivar sua prática. Só temos a ganhar com isso, afinal, além do aspecto do cuidado com a saúde física e mental, a Capoeira desenvolve nas pessoas que a praticam diversos elementos, tais como: consciência corporal, ritmo, musicalidade, poesia, consciência da história da sociedade brasileira e solidariedade. Ao som do berimbau, não há brasileiro que não balance.
O Ministério da Cultura empreendeu recentemente um trabalho de promoção do jogo por meio do Programa Capoeira Viva. Isso culminou no reconhecimento da Capoeira como Bem Cultural de Natureza Imaterial pelo Ministério da Cultura. É um bom começo, mas ainda é pouco. Agora, é preciso levar a Capoeira para dentro de nossas escolas.
E isso aí, camará.
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