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O Cozinheiro do Panamá

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Limpei mato na enxada Fiz picada no facão Com a pá e a picareta Cavei cova e cacimbão No machado cortei lenha Fui peão na construção Atirei com cartucheira Matei paca e arribação Hoje boto o panamá Não vejo contradição Lavo, limpo, esfrego e seco O avental é meu gibão Corto a carne, amasso o alho Vai cominho e pimentão Na panela boto óleo E um pouco de açafrão E enquanto pastoro o fogo Vou chegando à conclusão Que se um dia fui roceiro Hoje eu sou um cozinheiro Motorista de fogão

Minha Escola

A poesia de cordel tá no sangue do nordestino. Meu pai não é exceção. Espero que o gene da poesia que adormece no meu DNA um dia acorde. Enquanto isso não acontece, posto aqui os versos do Seu Raimundo. Ele fala da educação que recebeu, ou, dizendo melhor, não recebeu (segundo o julgamento dele). Na minha opinião, ele é um sábio. Me criei quase cativo num tempo muito esquisito. O conselho era uma surra o telefone era um grito. Não tinha nada bonito ninguém num tinha razão. Fiquei velho no sertão, não conheci a cidade. Estudei na faculdade de enxada, foice e facão. O meu livro era uma roça. A caneta era uma enxada. Pé descalço, pele grossa. A roupa toda rasgada. Só não fiz pedir esmola. Nunca freqüentei escola. De estudo eu não sei de nada. Raimundo Nonato