As Máscaras

Vi uma máscara africana
na sala de um apartamento high tech.
Uma máscara dos guerreiros da Jutlândia
na sacristia de uma catedral.
As máscaras estão em todo lugar.
Servem a todos os gostos.
Usei uma máscara de Ogum no dia de São Jorge.
Uma máscara veneziana me ajudou a arrumar um amor de carnaval.
Uma máscara de anjo era o que eu precisava no dia em que cheguei tarde em casa.
Uma máscara de mulher me serviu prá ouvir segredos femininos.
A de criança é útil quando quero cafuné.
Máscara de demônio ajuda a fazer umas maldades.
Máscara de santo também, com a vantagem de parecerem bondades.
A de sabido sempre agrada os velhinhos.
E a de bad boy faz as mina se interessarem...
Máscara de rico é boa prá ir às compras.
Mas é a de pobre que dá pontos no programa de milhagens do Paraíso.
Há também a minha máscara de cidadão ordinário
com RG, CPF e carteira de trabalho.
De tanto usá-la, esta desbotada...
Preciso ir de novo à Feira do Paraguai onde ela foi comprada.

(Jorge Ogum)

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