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Onde o mato cresce

(No dia do aniversário de 94 anos de meu pai, escrevi)  Roceiro raiz, meu pai nunca gostou da cidade. As circunstâncias da vida o tiraram do Nordeste  e o deslocaram nas periferias de Brasília. Insatisfeito, toda noite ele repetia: "eu gosto é do mato". Os neourbanizados filhos pensavam: Que coisa mais atrasada! Mas ele seguia ainda mais desfiador:  "Eu gosto é de pegar vaca pelo chifre, caçar mocó, arrancar toco..." Isso é coisa do passado! Ousávamos pensar, mas nunca dizer. E o tempo foi passando. E a vida nunca permitiu que ele voltasse ao seu lugar de pertencimento. E ele foi esquecendo, por hábito ou por velhice, que era do mato. E o mato foi saindo do meu pai. E por não achar onde crescer no betume da cidade Foi, silenciosamente, brotando na minha cabeça. E assim, embora tarde, eu entendi meu velho.  Depois de tanta luta, Hoje eu também quero ir pro mato! Ouvir a voz do vento. Sentir o cheiro da vida em sua origem. Ver o puro breu da noite sem energia elétrica...

O Presente

 Dizem os cientistas matematicamente não existe o presente O zero entre negativos e positivos ele é tão somente Passado e futuro O que foi e o que virá, virá, virá, virá... Cansada desse eterno não lugar A mente cria o presente em três imaginários segundos Tempo necessário pra dizer lentamente “Eu te amo” Eu, no primeiro. Tu, no segundo. Amor, no terceiro. É o agora suficiente Verdadeiro (Jorge Ogum, julho de 2025)

Meninos no Eixão

Na memória de minhas pernas cansadas Na altura da 206 norte acabava a pedalada. No plano inclinado até minha casa Descansava os joelhos, soltava as asas. Eu, menino entre meninos, viajava a outro mundo. Sem vida, sem morte, mentira, verdade... Só vento na cara, sol na pele, Lei da Gravidade... (Jorge Ogum)

Domingo, 6h da manhã

Olhaê, o Correioooo! Acorde, leitor Que a infância roubada desfila na rua  vendendo jornal. Sem café da manhã  Amanhã incerto Reduza o peso dos braços fatigados Pés encharcados. Mãos de tinta preta. Venha saber da inflação, da transição, da vitória do Fluminense Compre logo que na próxima esquina vou me sentar e também ler a página principal Provando, aos poucos, o sabor das letras e do mundo além das ruas lamacentas. Assim vai o menino na brecha estreita das circunstâncias saltando pedras que chamam tropeços “Foi bom pra você ter trabalhado assim.” Bom era jogar bola no campinho e ler gibi.

Dia de chuva

Maria, Maria, Se você soubesse  como gosto  de ficar  na sua cama  quando chove de dia… Todo o dia, Maria, você choveria.

Little Bang

Tantos antes Muitos mais depois, talvez Neste pequeno pedaço de tempo e espaço Queimando carbono Deixando pegadas que ninguém verá (É para poucos a notoriedade dos dinossauros) O que ficará deste trilionésimo grão de nanossegundo? Pó. Esquecimento. E mais e mais e mais e mais virão Sentados em um bar tomando margarita (Que sempre existam margaritas) Fazendo as mesmas perguntas até o fim do drink

As linhas de Deus

Deus escreve reto por linhas tortas Deus escreve torto por linhas certas E a soberba humana quer dizer Até mesmo como Deus deve escrever Não seja esse humano vil pequeno A ditar a escrita do divino Escreva você mesmo seu destino Pelas linhas erradas que houver E se o acaso lhe deu a linha reta Isso não é garantia de progresso Pois enquanto o senhor tá escrevendo O diabo rabisca e faz sucesso.

Ser e ilusão

 De onde nos vem o pensamento? Aonde nos leva o coração? Somos nós um baú de sentimentos? Ou seríamos os mestres da Razão? O pensar é apenas instrumento E o que julga saber não sabe não Sem timão vamos indo contra o vento E o controle não passa de ilusão. Muito antes de nosso nascimento Em labirintos e cantos escondidos Já estava pronto este momento Que supomos termos escolhido. Nos movemos num fio de aranha E cremos a tudo controlar Mas presos à necessidade Sem escolha nos resta acreditar. E você que se julga especial Ao seu lado alguém vai reparar Também se achando tal e tal Nessa vida a regra é se achar. Até mesmo estas linhas de espanto Por alguma razão subliminar Já estavam escritas em algum canto Tive apenas que delas me livrar.

Preguiça

Subia o bicho-preguiça devagar, devagar, devagar, devagar... Distraidamente começou a divagar, divagar, divagar, divagar... E concluiu que era preciso esperar, esperar, esperar, esperar... Pois tava agindo muito antes de pensar.

Poema Seco

De minha janela O céu de Brasília em sua beleza No chão sob as árvores Desenhos de tolha de mesa. O errático voo d'uma cigarra Que em meu ombro nu encontra pouso Depois de entrar em minha casa. Sinto pela pele a aspereza esperada. E ouve-se um canto Que é mais um grito. Mas a cigarra está calada. (Jorge Ogum)

Amanheci

O sol se esgueirava pelas frestas E pequenas manchas de calor Tocavam suavemente a pele Anunciando mais um dia sem calendário. O bule de café silvava Seria a cobra descascada no esmalte? O cheiro invadia meu quarto E todos os poros da casa. A panela de barro com feijão de corda E pedaços de toucinho pouco Esperava sua vez no fogo Mas ainda é hora do café. O padeiro não passou. É cuscuz com leite.  Vou comer ligeiro. Mil aventuras me esperam no terreiro. De longe diviso uma lata de sardinha-carro E aquela manga-boi no monturo me seduz Sai bichano, deixa meu cuscuz!

Os caminhos

 Uma légua de sonhos da escola até a casa O lado esquerdo da estrada era minha fazenda O direito também Incontáveis bois e vacas e carneiros e cavalos Pastavam à beira de córregos e açudes E eram batizados com adjetivos lisonjeiros Tudo era verde e dava pamonha até no verão, que é tempo de seca E o cacimbão com água fresca A bela esposa no alpendre espera (Lá na escola ela não sabia) Um farfalhar de folhas, o que será? Na realidade, um calanguinho Preciso voltar Pois errei o caminho... (Jorge Ogum)
Seu nome sobre o meu Meu nome sob o seu Conjunção nominal Metáfora sexual Sonho literal.

O destino das sementes

Infatigáveis, lançávamos as sementes O céu dava esperança de chuva Pés de pó e cabeça d’água sonhávamos com brotos alvissareiros e colheita farta   São tantas de feijão e tantas de milho Não esqueça! Os pés encerravam nas covas as sementes E o sonho de feijão verde com nata afastava o sol quente.   À noite, rezávamos por chuva E sonhávamos com o cheiro de melões no roçado Será preciso espantar os passarinhos E os silos talvez sejam pequenos.   Mas barulho algum se ouvia na cerâmica encardida do telhado O verde não vem A vida fenece na terra seca como a criança que morre no ventre da mãe Oh, Deus, não queremos o destino das sementes!

Um dia

Um dia, não faz tempo fiz um fotograma de suas ebúrneas coxas margeadas pelas flores do vestido. Naquele tempo. Existia tempo? você chegava quase sempre depois do combinado (depois disse que eu sorria ao abrir a porta) para o jantar de um cozinheiro aprendiz. Nesse tempo, que era fora do tempo, a casa era uma ilha e você, nua em seus domínios, descobria novidades musicais. Falávamos de família, política e de cicatrizes de infância enquanto você lavava os pratos com fingida indignação. Então eu adentrava para além das margens e você voava, cabelo de fogo contra o vento amazona num cavalo alado. Foi naquele dia, não faz tempo. .

Meus epitáfios

Apreciava a metalinguagem e diria que este epitáfio não ficou bom. Nada original,  só ao morrer ficou igual. Partiu desta antes do credor. O medo da morte de nada lhe adiantou. O medo da vida o matou.
São Luís é bela E não rima com nada Casario antigo Igreja e escada  E a dançarina de coco Pele bronzeada Que eu sonhei acordado  Que era minha  Amiga 

Só me vejo

Passei por tenebrosos vales E vaguei pela noite sozinho. Antes, conheci a vida que era sonho Mas, quem escolhe as cartas no jogo? Hoje, embora só, sinto aquela paz E mais um pouco, e com outro sabor, talvez. Tranquilo como um lago na floresta. Forte como rio que se lança em cachoeiras. Tenho minha casa segura como o ninho do falcão. Meu coração se alegra quando as folhas ficam verdes E outro tanto quando caem secas por necessidade. Tudo é beleza. Tomado por um desejo de aperfeiçoamento Meu corpo vibra e quer fazer vibrar. Uma força que não sabia existir me impulsiona. E mesmo a odiosa injustiça parece vencível. Mas você ainda não percebeu. Estou pronto. Venha. (Jorge Ogum)

Apaixonite

A paixão é doença perigosa Que infelizmente não se cura por osmose Ela aumenta os batimentos cardíacos Faz subir a taxa de glicose E o doente pensando em sua cura Já em transe e à beira da loucura Só deseja morrer de overdose. A paixão nos embota a consciência E confunde qualquer discernimento Nos faz ver traição numa amizade E o cabra se torna ciumento Já tem tudo, mas acha que é metade Crê em lendas, se afasta da verdade Quer ser meigo, mas fica rabugento. E se o pobre enfermo de paixão Não encontra o remédio condizente Se daquele a quem ama ouve “Não” Mas insiste em nadar contra a corrente Fatalmente ele irá se afogando Mas enquanto naufraga vai pensando Que o outro lhe deve amor ardente. Se um deus ou um anjo do Além Faz unir dois doentes de paixão O desejo de ser correspondido Faz crescer inda mais a ilusão Para eles a vida é doce e mel Até mesmo o inferno vira céu Só no outro um encontra distra...

Lago e Cidade

Vivo na cidade que não é normal Pertinho dum lago artificial Água represada Desejo contido Gozo reprimido Antinatural! Por que dizer isto? Não vê a beleza? Cidade, cultura Lago, natureza. E os dois abraçados Coito original Inspirando os homens a um amor igual. Prefiro as cidades que nascem sem nexo. Que têm ruas tortas, desenho complexo. Ladeiras e esquinas são minha paixão. E paralelepípedos que cobrem o chão. E o sol que brilha no céu azulado? E a beleza torta do nosso cerrado? Palácios modernos, pura poesia! E as praças, terreiros da democracia! Não vê nossa gente a mistura que tem? E a urbe que clama: misture-se também! Pode até ser bela, mas não tem calor. Em mim não provoca todo esse amor As suas distâncias separam as gentes, que por não se amarem, não se encontrarem São indiferentes. Veja que o lago é tranquilidade A cidade é bela E beleza é verdade. Sou lago incontido Você é cidade. Estamos partidos Metade e metade. Venha reunir Desejo e vontade Abraço perfeito Natural...

Negação da poesia

O mote me vem quando não estou inspirado Se quero escrever Dá tudo errado Não tenho caneta Estou deitado Ou no chuveiro, ensaboado Eis porque não sou poeta Nem escrevo versos com rima completa Meu medo maior Nem azar nem sorte Que a musa apareça Na hora da morte. (Jorge Ogum)

Augúrio

Você queria colher lavanda Eu só beijar. Sempre íamos em direções opostas Eu nunca chegava lá. Você sugeriu observar os pássaros Como os romanos antigos. Eu mirava o céu Você o umbigo. Avistei uma andorinha E você reclamou da luz solar. Vi um trinta-réis a caminho do frio do sul E lembrei que 90% do iceberg fica sob a água do mar. Você era ave de outras paragens Canora e de arribação. Eu maçarico-solitá rio Sem vocação pra gavião. E voltamos às lavandas sem que você visse passarinho. Difícil tarefa é ser adivinho. (Jorge Ogum)

Cântico dos meus cânticos

Conta a lenda que um filho de Davi Errava pelos desertos de Israel E que solitário como um eremita Procurava um caminho para o Céu. Com a vista embaçada por miragens Do Paraíso desistia a sua alma Quando viu bem ao longe uma ramagem E o seu coração voltou à calma. Num oásis, a cena imprevisível Uma índia dormia nua e bela À sombra de arbustos cuja forma Parecia o salão duma capela. Tu que ouves e acionas a Razão E o improvável te faz até sorrir Se à beleza da cena dizes não Imagina o filho de Davi. O barulho da água que brotava E o corpo nu assim dormido ao léu Fez-lhe crer que agora se encontrava Não perdido, mas às portas do Céu. E ninguém é capaz de conhecer O que naquele oásis se passou. E os prazeres que ele ousou viver Logo que a selvagem acordou. É que a  fêmea misteriosa e brejeira Abriu-se para o filho de Davi E exalava flor de laranjeira Que até mesmo o Senhor pôde sentir. Diz-se então que o deserto ve...

Medo do Escuro

De minha caverna envidraçada Vejo carros, luzes e passantes Um menino que brinca alegremente E ao fundo a cidade iluminada Sozinho em minha gruta moderna Espero chegar a madrugada E miro por um buraco na pedra O que ocorre na selva da calçada E às vezes a Lua companheira Me faz esquecer a solidão E pensar que talvez hoje apareça Quem vai aquecer meu coração Num canto mais escuro me recolho E espero o sono aparecer E os uivos das feras ficam longe... E os sonhos me levam a você. (Jorge Ogum)

Apaixonite

A paixão é doença perigosa Que infelizmente não se cura por osmose Ela aumenta os batimentos cardíacos Faz baixar a taxa de glicose E doente pensando em sua cura Só deseja morrer de overdose.

Por la tarde

Había máscaras, el lago y la ciudad artificial. Había agua debajo del muelle. El sol arriba... y la luna también. La iglesia cónica y las terrazas incas. Había viento después del calor y el silencio alrededor. Había un sapo cantante y una lechuza silenciosa y un sapo silencioso y una lechuza hablante... Había un puente distante y una torre alta y una pareja en el camino... Había historia de civilizaciones perdidas en el pasado y de civilizaciones perdidas en el presente. El universo de afuera y el de adentro. Había un beso. No había nada.

Mais um hai kai torto

Tsunami na cabeça Não sabe a Razão Foi abalo sísmico bem lá no fundo do Oceano do Coração.

As Máscaras

Vi uma máscara africana na sala de um apartamento high tech. Uma máscara dos guerreiros da Jutlândia na sacristia de uma catedral. As máscaras estão em todo lugar. Servem a todos os gostos. Usei uma máscara de Ogum no dia de São Jorge. Uma máscara veneziana me ajudou a arrumar um amor de carnaval. Uma máscara de anjo era o que eu precisava no dia em que cheguei tarde em casa. Uma máscara de mulher me serviu prá ouvir segredos femininos. A de criança é útil quando quero cafuné. Máscara de demônio ajuda a fazer umas maldades. Máscara de santo também, com a vantagem de parecerem bondades. A de sabido sempre agrada os velhinhos. E a de bad boy faz as mina se interessarem... Máscara de rico é boa prá ir às compras. Mas é a de pobre que dá pontos no programa de milhagens do Paraíso. Há também a minha máscara de cidadão ordinário com RG, CPF e carteira de trabalho. De tanto usá-la, esta desbotada... Preciso ir de novo à Feira do Paraguai onde ela foi comprada. (Jorge Ogu...

Fast Track

A vida é uma morte lenta... Ninguém morre de repen

Ser ou não ser

Ser ou não ser, eis a questão de quem já comeu o feijão.
Nossos pés tateiam O chão. A que aspiramos Pulsão. Tudo o que queremos É vão. E o que recebemos É não. Matamo-nos vivos Com pão. Nos energizamos Tesão. Prá que tudo isso Sei não.

Hai Kais de Maraú

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João saiu prá pescar Maria, prá comprar dendê. Entrei no mar Merglup! Champagne à noite em Maraú Sabor frutado, Cruzeiro do Sul. Bicicleta amarela Mar verde Nariz vermelho (só vi no espelho). Ela ficou preta na Praia Tomara que o biquíni caia. Vi com meu paladar Uma pititinga na areia de farinha a nadar. Havia uma deusa africana na praia do Mutá E ainda dizem que África está do lado de lá. Luiza de arena hizo una ciudad Porque así son todas en verdad. Nas férias, depois de uma caipirosca, tudo é permitido. Até mesmo se fazer de poeta.

O Cozinheiro do Panamá

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Limpei mato na enxada Fiz picada no facão Com a pá e a picareta Cavei cova e cacimbão No machado cortei lenha Fui peão na construção Atirei com cartucheira Matei paca e arribação Hoje boto o panamá Não vejo contradição Lavo, limpo, esfrego e seco O avental é meu gibão Corto a carne, amasso o alho Vai cominho e pimentão Na panela boto óleo E um pouco de açafrão E enquanto pastoro o fogo Vou chegando à conclusão Que se um dia fui roceiro Hoje eu sou um cozinheiro Motorista de fogão

O amor, segundo Patativa do Assaré

Em entrevista ao pesquisador Gilmar de Carvalho , o poeta cearense Patativa do Assaré explica que também faz poesia que fala de amor. Vejamos um bonito trecho da entrevista: “Gilmar Carvalho – Patativa gosta de poesias sociais, mas também gosta de uma poesia apaixonada? Patativa do Assaré – É, mas, não tenho muita poesia apaixonada, não. É.. quase não tenho. Eu tenho é... só poesia... quase só poesia social. Eu tenho também poesia... Bem no cimo do monte florescente, em lembrança do nosso amor passado, ainda encontra-se exposto a sol ardente um casebre sem dono, abandonado. Quando às vezes por lá passo chorando, recordando da vida uma passagem, no terreiro da choça me acenando, me parece surgir a tua imagem. Outras vezes eu penso estar ouvindo, na pequena varanda da casinha, teu cantar sonoroso, belo e lindo, na bela entoação de uma modinha. Penetro na palhoça com cautela, Procurando te ver, mulher amada, mas tudo quanto encontro dentro dela são corujas, morcegos e mais nada! Então, o ...

Berijela e abobrinha ao forno

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Nem só de pão vive o homem, não é mesmo? É bom que o pão venha acompanhado de alguma coisa. Pode ser uma simples manteiga, mas se for uma pasta de bejijela, presunto ou queijo, fica melhor. Apresento abaixo minha sugestão. É a "Berijela e abobrinha ao forno". Alguém pode dizer que isso se chama bruschetta, mas eu não chamo assim não. Aqui só o pão é italiano. Quem já provou esta receita gostou muito. Vamo lá. Receita (Serve 4 pessoas no máximo) Ingredientes 1 berijela média 1 abobrinha itália 2 Cebolas 400 gramas de tomate cereja ( pode ser tomate comum em rodelas,mas o cereja é insuperável) 1/2 pimentão vermelho Azeitona descaroçada a gosto Alho e sal a gosto (o alho, pode ser uns seis dentes grandes ou mais) Azeite Manjericão Modo de fazer: (É só misturar tudo) 1. Corte a berinjela, a abobriha e a cebola em cubos (do tamanho da falange do dedo indicador); 2. Corte o tomate cereja em duas partes; 3. Pique o pimentão; 4. Amasse o alho, pode deixar uns pedaços inteiros tam...

A Educação e o pré-sal

Nos últimos dias, a mídia tem comentado muito sobre um assunto que dividiu o país: a distribuição dos royalties do pré-sal. Embora mereça a atenção da opinião pública, considero que esse não é o debate mais importante no que diz respeito aos recursos advindos dos novos poços petrolíferos. Maior relevância merece o Projeto de Lei nº 07/2010, que cria o Fundo Social do pré-sal, atualmente no Senado. Ele envolve a discussão sobre a forma de utilização desse “bilhete premiado”, como disse o Presidente Lula, embora não saibamos ainda o tamanho do prêmio. Há duas questões de fundo no debate sobre como investir os recursos que virão com exploração riqueza recém descoberta: a primeira é como utilizá-los sem prejudicar o Brasil. Parece absurdo dizer isso, mas não é. Quem nunca tomou conhecimento daquelas pessoas que ganham na loteria, e ficam sem saber o que fazer com o prêmio? Elas saem gastando: compram bens supérfluos, esbanjam. E quando se dão conta, estão pobres de novo. Pois é isso que...

Minha Escola

A poesia de cordel tá no sangue do nordestino. Meu pai não é exceção. Espero que o gene da poesia que adormece no meu DNA um dia acorde. Enquanto isso não acontece, posto aqui os versos do Seu Raimundo. Ele fala da educação que recebeu, ou, dizendo melhor, não recebeu (segundo o julgamento dele). Na minha opinião, ele é um sábio. Me criei quase cativo num tempo muito esquisito. O conselho era uma surra o telefone era um grito. Não tinha nada bonito ninguém num tinha razão. Fiquei velho no sertão, não conheci a cidade. Estudei na faculdade de enxada, foice e facão. O meu livro era uma roça. A caneta era uma enxada. Pé descalço, pele grossa. A roupa toda rasgada. Só não fiz pedir esmola. Nunca freqüentei escola. De estudo eu não sei de nada. Raimundo Nonato

Vc sabe quem

Postei ontem a foto de uma velhinha dançando polca Foi visitada por dez milhões de internautas. Meu vídeo sobre o comportamento sexual das top models Recebeu 1300 comentários. Alguém afirmou que transar com um pé de alface é coisa de pervertido. Meu post sobre o comportamento eleitoral das patricinhas Foi chamado de parcial pela mídia tradicional e proibido na maioria dos shoppings. O flasmob que eu organizei não colou. Das 700 pessoas que compareceram, 500 eram jogadores de futebol. Baixei uma palestra sobre as idiossincrasias sintáticas do sueco Mas decidi deletar porque meu pen drive de 16 gigas estava cheio. Encomendei uma biografia do Steve Jobs Mas desisti de ler livros físicos e pedi uma pizza sabor maçã. Meu álbum no Facebook provocou ira na Igreja Católica O bispo afirmou que minhas fotos incitam à prática dos pecados capitais. Recebi e-mail de um tataraneto de Lampião. Deletei pensando que era um spam. Descobri depois que se tratava de um vírus com capacidade para destruir to...

Estômago

Vi nesse fim de semana o excelente filme Estômago (Brasil/Itália, Diretor Marcos Jorge, 2008, 112 min). O filme conta a estória de Raimundo Nonato (interpretado por João Miguel) no mundo da culinária, da comida e do sexo. O ato de comer é a metáfora para entender a nossa sociedade, as relações de poder, de trabalho e de amor. Estômago é, a um só tempo, humorado e sombrio, suave e brutal. É como a comida que mais gostamos: se comemos demais, podemos passar mal. Por meio de uma montagem inteligente, Estômago nos mostra como Nonato, inicialmente tímido, foi parar na cadeia e como utiliza a arte de cozinhar para sobreviver (e algo mais...) dentro da prisão. Assisti Estômago no sábado e, no domingo, fui pra cozinha fazer o meu "bom e tradicional espaguete à bolonhesa", como disse o meu filho. Fiquei pensando sobre as relações de poder que se estabelecem em torno do alimento. Quem tem comida, ou quem sabe prepará-la, exerce poder. Cozinhar é uma arte. A obra de arte é destruíd...

Voltei

Versinhos escritos sobre a areia I Numa onda forte o biquíni cai Ai! II N'a areia espero você vem do mar O sal que carrega traz sabor diverso ao meu paladar É que eu não sabia que o sal vira mel E que em sua presença o mar vira Céu. III No céu, Lua Cheia Cabeça nas nuvens Pés na areia.

Renovar... e realizar as esperanças em 2010

Há quem diga que a esperança é um sentimento que anestesia e impede de olhar para a realidade. Eu não acho. Podemos sempre renová-la em nosso coração, com os pés no chão. Que neste Natal todas as suas esperanças se renovem! Como no poema de Mário Quintana. Espero que não considerem minha mensagem desesperançada. Muito ao contrário. Não há mal nenhum em dizer que nos alimentamos de sonhos. Viva o sonho em 2010!!!!! Eis o poema do Quintana. Gostei tanto que escolhi como símbolo da esperança em 2010. Mas, é claro, quero que os sonhos se realizem... ESPERANÇA Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano Vive uma louca chamada Esperança E ela pensa que quando todas as sirenas Todas as buzinas Todos os reco-recos tocarem Atira-se E — ó delicioso vôo! Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada, Outra vez criança... E em torno dela indagará o povo: — Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes? E ela lhes dirá (É preciso dizer-lhes tudo de novo!) Ela lhes dirá bem devagarinho, ...

Sobre o dinheiro e a felicidade

O dinheiro não traz felicidade: traz facilidades. E ter uma vida fácil não implica necessariamente ter uma vida feliz. Nosso quociente de felicidade não deve ser medido pela quantidade de dificuldades ou problemas por que passamos, mas sim pela nossa capacidade potencial de superá-los sem sobressaltos; quanto maior o segundo, tanto menor o primeiro. A felicidade é um estado de espírito que, uma vez alcançado, para sempre nos acompanhará sem corrermos o risco de perdê-lo como perdemos, por exemplo, as facilidades trazidas pelo dinheiro quando nos endividamos. É bem verdade que almejamos ter recursos suficientes para pagar as aquisições que desejamos fazer. Ma não está aí a panaceia para os nossos males, as nossas tristezas e angústias. Dito isso, a questão maior que se apresenta e o grande desafio que surge é responder à seguinte indagação: como alcançarmos então esse estado de espírito? Mesmo não havendo fórmulas prontas (já que a resposta pode variar de pessoa para pessoa), é possível...

Sugarcane plantation

Oh branco acúcar, quanto do teu sal São lágrimas de Cabo Canaveral! As belas que me perdoem Mas vou-me embora pra Pasárgada.

Serei eu, Senhor?

É da nascente, é do córrego É do riacho, é do laguinho É do rio, que não tem peixe É do mangue, é do berço É com areia, é da praia Edmar Rafael & Nicholas (1º semestre/2009) Rafael & Nicholas são meus alunos na disciplina Sociologia da Educação no curso de Pedagogia da FACITEC. Perceberam logo que meu nome se presta a uma certa megalomania. É isso mesmo. Sou um megalonanico! Prá eles não basta que eu seja "de mar". Sou também de rio, lago, riacho... Só não entendi porque o rio "não tem peixe". Ô meninos, botem um peixe-mulher neste meu poema!!!

Sobre o filme Billy Elliot

A estória de Billy Elliot, o menino filho de operários ingleses que vence todas as resistências e se torna bailarino, nos permite conhecer muito mais que um drama pessoal. O filme é de 2000, dirigido por Stephen Daldry. Sob os dramas individuais se apresenta um pano de fundo coletivo (ou seria o contrário?) e podemos ver como as biografias se inserem na história. E isto é um problema sociológico fundamental. "No discurso de ontem a primeira-ministra Margareth Thatcher referiu-se aos mineiros em greve como 'inimigos internos' após meses de confronto com a polícia..." Esta frase é dita ao fundo pela televisão enquanto Billy se prepara às escondidas para mais uma aula de balé. De que greve se fala? Qual a razão da greve? A Inglaterra foi o primeiro país desenvolvido a colocar em prática nos anos 80, medidas político-econômicas que ficaram conhecidas como Neoliberalismo: redução da intervenção do estado na economia, cortes nos gastos sociais, privatizações e...

o poema que não fiz*

é fácil fazer um poema erótico vulvas gemidos e mãos sob o vestido é fácil fazer um poema romântico saudades suspiros e juras de amor eterno é fácil fazer um poema épico cavalos dragões e acordes de assim falava zaratrusta é fácil fazer um poema concreto lápis régua e formas no papel mas eu que nunca escrevi poesia só farei um dia um poema se ele for inclassificável *outro título possível para esse poema (que de fato não existe) é “a modéstia é meu maior defeito”, como diria Raimundinho.

Ela é Brasileira II

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Nossa música ficou entre as três melhores no Festival de Cantigas Beribazu, realizado no dia 24 de junho de 2009, no Teatro Paulo Autran (SESC) em Taguatinga. O evento foi organizado pelo Mestre Léo Borges. O Grupo Beribazu mostrou que a capoeira é corpo e alma. Nasceu Capoeira (Calil, Edmar e Enzo) Mama África chegou no Brasil Tava grávida de capoeira. Na senzala foi que ela nasceu Foi gingando ao redor da fogueira Capoeira nasceu ê Ô Nasceu capoeira. Capoeira nasceu ê Ô Ao redor da fogueira. No quilombo foi que ela cresceu Esquivou do castigo certeiro. Com Oxum, Iemanjá e Ogum E outros santos lá do terreiro. Capoeira cresceu ê Ô Cresceu capoeira. Capoeira cresceu ê Ô Ao redor da fogueira. E no toque do berimbau Capoeira buscou liberdade. Da senzala foi para a favela Livre só pela metade. Capoeira lutou ê Ô Lutou capoeira. Capoeira lutou ê Ô Liberdade é inteira. Ela é dança, ela é luta, ela é ginga. Ela é capoeira. Ela é negra, ela é branca, ela é índia. Mistura brasileira.

Da série: Mil e uma palavras

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Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Então, aí está a foto de Ouro Preto e sua beleza ímpar...e outras tantas palavras. Porque a imagem pode valer muito, mas no princípio era o verbo e, ademais, uma idéia move montanhas. Era isso mesmo? Deixa prá lá...Em todo caso, eis a imagem, eis as palavras. São de Minas. São de Cecília Meireles. A vastidão desses campos. A alta muralha das serras. As lavras inchadas de ouro. Os diamantes entre as pedras. Negros, índios e mulatos. Almocafes e gamelas. Os rios todos virados. Toda revirada, a terra. Capitães, governadores, padres, intendentes, poetas. Carros, liteiras douradas, cavalos de crina aberta. A água e transbordar das fontes. Altares cheios de velas. Cavalhadas. Luminárias. Sinos. Procissões. Promessas. Anjos e santos nascendo em mãos de gangrena e lepra. Finas músicas broslando as alfaias das capelas. Todos os sonhos barrocos deslizando pelas pedras. Pátios de seixos. Escadas. Boticas. Pontes. Conversas. Gente que chega e que p...