Amanheci
O sol se esgueirava pelas frestas
E pequenas manchas de calor
Tocavam suavemente a pele
Anunciando mais um dia sem calendário.
O bule de café silvava
Seria a cobra descascada no esmalte?
O cheiro invadia meu quarto
E todos os poros da casa.
A panela de barro com feijão de corda
E pedaços de toucinho pouco
Esperava sua vez no fogo
Mas ainda é hora do café.
O padeiro não passou.
É cuscuz com leite.
Vou comer ligeiro.
Mil aventuras me esperam no terreiro.
De longe diviso uma lata de sardinha-carro
E aquela manga-boi no monturo me seduz
Sai bichano, deixa meu cuscuz!
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