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Vc sabe quem

Postei ontem a foto de uma velhinha dançando polca Foi visitada por dez milhões de internautas. Meu vídeo sobre o comportamento sexual das top models Recebeu 1300 comentários. Alguém afirmou que transar com um pé de alface é coisa de pervertido. Meu post sobre o comportamento eleitoral das patricinhas Foi chamado de parcial pela mídia tradicional e proibido na maioria dos shoppings. O flasmob que eu organizei não colou. Das 700 pessoas que compareceram, 500 eram jogadores de futebol. Baixei uma palestra sobre as idiossincrasias sintáticas do sueco Mas decidi deletar porque meu pen drive de 16 gigas estava cheio. Encomendei uma biografia do Steve Jobs Mas desisti de ler livros físicos e pedi uma pizza sabor maçã. Meu álbum no Facebook provocou ira na Igreja Católica O bispo afirmou que minhas fotos incitam à prática dos pecados capitais. Recebi e-mail de um tataraneto de Lampião. Deletei pensando que era um spam. Descobri depois que se tratava de um vírus com capacidade para destruir to...

Estômago

Vi nesse fim de semana o excelente filme Estômago (Brasil/Itália, Diretor Marcos Jorge, 2008, 112 min). O filme conta a estória de Raimundo Nonato (interpretado por João Miguel) no mundo da culinária, da comida e do sexo. O ato de comer é a metáfora para entender a nossa sociedade, as relações de poder, de trabalho e de amor. Estômago é, a um só tempo, humorado e sombrio, suave e brutal. É como a comida que mais gostamos: se comemos demais, podemos passar mal. Por meio de uma montagem inteligente, Estômago nos mostra como Nonato, inicialmente tímido, foi parar na cadeia e como utiliza a arte de cozinhar para sobreviver (e algo mais...) dentro da prisão. Assisti Estômago no sábado e, no domingo, fui pra cozinha fazer o meu "bom e tradicional espaguete à bolonhesa", como disse o meu filho. Fiquei pensando sobre as relações de poder que se estabelecem em torno do alimento. Quem tem comida, ou quem sabe prepará-la, exerce poder. Cozinhar é uma arte. A obra de arte é destruíd...

Voltei

Versinhos escritos sobre a areia I Numa onda forte o biquíni cai Ai! II N'a areia espero você vem do mar O sal que carrega traz sabor diverso ao meu paladar É que eu não sabia que o sal vira mel E que em sua presença o mar vira Céu. III No céu, Lua Cheia Cabeça nas nuvens Pés na areia.

Renovar... e realizar as esperanças em 2010

Há quem diga que a esperança é um sentimento que anestesia e impede de olhar para a realidade. Eu não acho. Podemos sempre renová-la em nosso coração, com os pés no chão. Que neste Natal todas as suas esperanças se renovem! Como no poema de Mário Quintana. Espero que não considerem minha mensagem desesperançada. Muito ao contrário. Não há mal nenhum em dizer que nos alimentamos de sonhos. Viva o sonho em 2010!!!!! Eis o poema do Quintana. Gostei tanto que escolhi como símbolo da esperança em 2010. Mas, é claro, quero que os sonhos se realizem... ESPERANÇA Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano Vive uma louca chamada Esperança E ela pensa que quando todas as sirenas Todas as buzinas Todos os reco-recos tocarem Atira-se E — ó delicioso vôo! Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada, Outra vez criança... E em torno dela indagará o povo: — Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes? E ela lhes dirá (É preciso dizer-lhes tudo de novo!) Ela lhes dirá bem devagarinho, ...

Sobre o dinheiro e a felicidade

O dinheiro não traz felicidade: traz facilidades. E ter uma vida fácil não implica necessariamente ter uma vida feliz. Nosso quociente de felicidade não deve ser medido pela quantidade de dificuldades ou problemas por que passamos, mas sim pela nossa capacidade potencial de superá-los sem sobressaltos; quanto maior o segundo, tanto menor o primeiro. A felicidade é um estado de espírito que, uma vez alcançado, para sempre nos acompanhará sem corrermos o risco de perdê-lo como perdemos, por exemplo, as facilidades trazidas pelo dinheiro quando nos endividamos. É bem verdade que almejamos ter recursos suficientes para pagar as aquisições que desejamos fazer. Ma não está aí a panaceia para os nossos males, as nossas tristezas e angústias. Dito isso, a questão maior que se apresenta e o grande desafio que surge é responder à seguinte indagação: como alcançarmos então esse estado de espírito? Mesmo não havendo fórmulas prontas (já que a resposta pode variar de pessoa para pessoa), é possível...

Sugarcane plantation

Oh branco acúcar, quanto do teu sal São lágrimas de Cabo Canaveral! As belas que me perdoem Mas vou-me embora pra Pasárgada.

Serei eu, Senhor?

É da nascente, é do córrego É do riacho, é do laguinho É do rio, que não tem peixe É do mangue, é do berço É com areia, é da praia Edmar Rafael & Nicholas (1º semestre/2009) Rafael & Nicholas são meus alunos na disciplina Sociologia da Educação no curso de Pedagogia da FACITEC. Perceberam logo que meu nome se presta a uma certa megalomania. É isso mesmo. Sou um megalonanico! Prá eles não basta que eu seja "de mar". Sou também de rio, lago, riacho... Só não entendi porque o rio "não tem peixe". Ô meninos, botem um peixe-mulher neste meu poema!!!

Sobre o filme Billy Elliot

A estória de Billy Elliot, o menino filho de operários ingleses que vence todas as resistências e se torna bailarino, nos permite conhecer muito mais que um drama pessoal. O filme é de 2000, dirigido por Stephen Daldry. Sob os dramas individuais se apresenta um pano de fundo coletivo (ou seria o contrário?) e podemos ver como as biografias se inserem na história. E isto é um problema sociológico fundamental. "No discurso de ontem a primeira-ministra Margareth Thatcher referiu-se aos mineiros em greve como 'inimigos internos' após meses de confronto com a polícia..." Esta frase é dita ao fundo pela televisão enquanto Billy se prepara às escondidas para mais uma aula de balé. De que greve se fala? Qual a razão da greve? A Inglaterra foi o primeiro país desenvolvido a colocar em prática nos anos 80, medidas político-econômicas que ficaram conhecidas como Neoliberalismo: redução da intervenção do estado na economia, cortes nos gastos sociais, privatizações e...

o poema que não fiz*

é fácil fazer um poema erótico vulvas gemidos e mãos sob o vestido é fácil fazer um poema romântico saudades suspiros e juras de amor eterno é fácil fazer um poema épico cavalos dragões e acordes de assim falava zaratrusta é fácil fazer um poema concreto lápis régua e formas no papel mas eu que nunca escrevi poesia só farei um dia um poema se ele for inclassificável *outro título possível para esse poema (que de fato não existe) é “a modéstia é meu maior defeito”, como diria Raimundinho.

Ela é Brasileira II

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Nossa música ficou entre as três melhores no Festival de Cantigas Beribazu, realizado no dia 24 de junho de 2009, no Teatro Paulo Autran (SESC) em Taguatinga. O evento foi organizado pelo Mestre Léo Borges. O Grupo Beribazu mostrou que a capoeira é corpo e alma. Nasceu Capoeira (Calil, Edmar e Enzo) Mama África chegou no Brasil Tava grávida de capoeira. Na senzala foi que ela nasceu Foi gingando ao redor da fogueira Capoeira nasceu ê Ô Nasceu capoeira. Capoeira nasceu ê Ô Ao redor da fogueira. No quilombo foi que ela cresceu Esquivou do castigo certeiro. Com Oxum, Iemanjá e Ogum E outros santos lá do terreiro. Capoeira cresceu ê Ô Cresceu capoeira. Capoeira cresceu ê Ô Ao redor da fogueira. E no toque do berimbau Capoeira buscou liberdade. Da senzala foi para a favela Livre só pela metade. Capoeira lutou ê Ô Lutou capoeira. Capoeira lutou ê Ô Liberdade é inteira. Ela é dança, ela é luta, ela é ginga. Ela é capoeira. Ela é negra, ela é branca, ela é índia. Mistura brasileira.

Da série: Mil e uma palavras

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Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Então, aí está a foto de Ouro Preto e sua beleza ímpar...e outras tantas palavras. Porque a imagem pode valer muito, mas no princípio era o verbo e, ademais, uma idéia move montanhas. Era isso mesmo? Deixa prá lá...Em todo caso, eis a imagem, eis as palavras. São de Minas. São de Cecília Meireles. A vastidão desses campos. A alta muralha das serras. As lavras inchadas de ouro. Os diamantes entre as pedras. Negros, índios e mulatos. Almocafes e gamelas. Os rios todos virados. Toda revirada, a terra. Capitães, governadores, padres, intendentes, poetas. Carros, liteiras douradas, cavalos de crina aberta. A água e transbordar das fontes. Altares cheios de velas. Cavalhadas. Luminárias. Sinos. Procissões. Promessas. Anjos e santos nascendo em mãos de gangrena e lepra. Finas músicas broslando as alfaias das capelas. Todos os sonhos barrocos deslizando pelas pedras. Pátios de seixos. Escadas. Boticas. Pontes. Conversas. Gente que chega e que p...

Você se lembra?

Há vinte anos a China era notícia. Mas não era olimpíada. Tampoco eram informações sobre a economia, como é muito comum atualmente. Eram notícias de uma rebelião. A rebelião dos estudantes na Praça da Paz Celestial. Foram massacrados, mas fizeram história. Deixaram, ainda, uma imagem que o mundo nunca esqueceu. Você sabe qual é? Veja aqui. "Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda" Cecília Meireles, no Romanceiro da Inconfidência .

Para não dizer que não falei das flores: Pai Nosso Virtual

Google nosso que estais no ciberespaço, Lucrativos sejam os vossos interesses econômicos. Venha a nós o vosso link , Seja feita em vós toda pesquisa, Assim no mundo físico como no virtual. A informação nossa de cada segundo nos dai agora. Apagai as nossas dúvidas sobre o vosso conteúdo, Assim como deletamos um spam . E não nos deixeis cair na tentação de visitar sites proibidos Mas livrai-nos do real , Enter

Ela é brasileira

Os africanos que foram trazidos para o Brasil como escravos praticavam na África, onde viviam em liberdade, diversos jogos e danças ao som de músicas. Aqui, esses homens e mulheres eram vítimas de muitas violências: vendidos como coisas, tinham seus nomes trocados, e não podiam falar seus idiomas, praticar as religiões africanas e tampouco exercer sua cultura. Mas, nas senzalas, negros oriundos das mais diversas partes do continente africano rezavam para os orixás e, sem que o senhor de engenho pudesse perceber (ou entender), foram desenvolvendo uma nova forma de resistência: uma dança/luta que misturava passos de diversas manifestações africanas. Era a capoeira que nascia, disfarçada de dança. Nos quilombos, os negros rebelados puderam jogar capoeira, que depois foi aperfeiçoada nas cidades, após a Abolição, embora a prática da luta fosse reprimida, tendo inclusive sido considerada crime pelo Código Penal da República Velha. Mas há outras versões sobre o surgimento da capoeira. Mestre...

A Doce Vida dos paparazzi

As colegas de trabalho propuseram e eu topei o desafio de assistir a todos os filmes da lista 100 Filmes Essenciais publicada em 2007 pela revista Bravo! . Nunca colecionei fitas VHS ou DVDs de filmes. Quando não posso ver no cinema, recorro às locadoras. Claro que isso fica cada vez mais difícil, pois filme bom não se acha em qualquer loja, ainda mais depois da crise provocada pelo download . As locadoras estão morrendo à míngua. Mas, se as amigas topavam emprestar, por que não entrar na onda? Diligentes, montaram a lista e decidiram o que ver primeiro. E toma filme. Essas meninas são verdadeiras promotoras da cultura cinematográfica! Quem não quer conviver com gente assim? Então, vamos lá. A lista de Bravo! tem obras prá todos os gostos. Desde os títulos mais antigos até os mais recentes, nos diversos gêneros. Durante todo o ano de 2008, vimos, talvez, um terço da lista. Cada um assiste ao filme em sua própria casa. Então, sempre demora um pouquinho para que todas (os homens somos ...

Cem Anos de Carmen Miranda

Eduardo Dussek e Rita Ribeiro mostram o que é que a baiana tem no Cecê Bebê de Brasília no quarto e último espetáculo da série Alô Alô! 100 Anos de Carmen Miranda . Apresentando músicas de Ary Barroso, Assis Valente, Dorival Cayme e outros compositores que a Pequena Notável gravou, os dois artistas transportam o público para o clima de um tempo em que a boa música era ouvida pelo povão. A voz e carisma de Rita, ao lado do humor e versatilidade de Dussek empolgam em interpretações como Cachorro vira-lata e A preta do acarajé . Nos intervalos entre as músicas, o pesquisador José Antônio Nonato conta fatos da vida de Carmen. Ficamos sabendo, por exemplo, que Synval Silva, o autor de Adeus, batucada , foi motorista da cantora. Curiosidades à parte, ao assistir a um espetáculo como este pensamos sobre o que a cultura brasileira é capaz de produzir. Carmen, que nasceu em 1909, tem suas músicas cantaroladas até hoje pelos brasileiros, para muito além do estereótipo da baiana (que ela não era...

Caju do Cerrado

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Começo de Conversa

Este é o começo da conversa, como diz o título. Então, vamos falar do tempo. Não é esse o mais antigo método para se iniciar um papo? Hoje faz um frio danado em Brasília. Eu adoro isso. Como um assunto leva a outro, logo estaremos falando aqui de educação, cultura, literatura, Política, políticas públicas e outros temas. É isso o que eu quero. O Caju, por quê? Ora, sempre brinco que nasci debaixo de um cajueiro. Depois conto como isso aconteceu. Por hoje é só. Agasalhar e ficar junto para aquecer. É o lema do dia. É o lema desse começo.