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Mostrando postagens de 2010

O amor, segundo Patativa do Assaré

Em entrevista ao pesquisador Gilmar de Carvalho , o poeta cearense Patativa do Assaré explica que também faz poesia que fala de amor. Vejamos um bonito trecho da entrevista: “Gilmar Carvalho – Patativa gosta de poesias sociais, mas também gosta de uma poesia apaixonada? Patativa do Assaré – É, mas, não tenho muita poesia apaixonada, não. É.. quase não tenho. Eu tenho é... só poesia... quase só poesia social. Eu tenho também poesia... Bem no cimo do monte florescente, em lembrança do nosso amor passado, ainda encontra-se exposto a sol ardente um casebre sem dono, abandonado. Quando às vezes por lá passo chorando, recordando da vida uma passagem, no terreiro da choça me acenando, me parece surgir a tua imagem. Outras vezes eu penso estar ouvindo, na pequena varanda da casinha, teu cantar sonoroso, belo e lindo, na bela entoação de uma modinha. Penetro na palhoça com cautela, Procurando te ver, mulher amada, mas tudo quanto encontro dentro dela são corujas, morcegos e mais nada! Então, o ...

Berijela e abobrinha ao forno

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Nem só de pão vive o homem, não é mesmo? É bom que o pão venha acompanhado de alguma coisa. Pode ser uma simples manteiga, mas se for uma pasta de bejijela, presunto ou queijo, fica melhor. Apresento abaixo minha sugestão. É a "Berijela e abobrinha ao forno". Alguém pode dizer que isso se chama bruschetta, mas eu não chamo assim não. Aqui só o pão é italiano. Quem já provou esta receita gostou muito. Vamo lá. Receita (Serve 4 pessoas no máximo) Ingredientes 1 berijela média 1 abobrinha itália 2 Cebolas 400 gramas de tomate cereja ( pode ser tomate comum em rodelas,mas o cereja é insuperável) 1/2 pimentão vermelho Azeitona descaroçada a gosto Alho e sal a gosto (o alho, pode ser uns seis dentes grandes ou mais) Azeite Manjericão Modo de fazer: (É só misturar tudo) 1. Corte a berinjela, a abobriha e a cebola em cubos (do tamanho da falange do dedo indicador); 2. Corte o tomate cereja em duas partes; 3. Pique o pimentão; 4. Amasse o alho, pode deixar uns pedaços inteiros tam...

A Educação e o pré-sal

Nos últimos dias, a mídia tem comentado muito sobre um assunto que dividiu o país: a distribuição dos royalties do pré-sal. Embora mereça a atenção da opinião pública, considero que esse não é o debate mais importante no que diz respeito aos recursos advindos dos novos poços petrolíferos. Maior relevância merece o Projeto de Lei nº 07/2010, que cria o Fundo Social do pré-sal, atualmente no Senado. Ele envolve a discussão sobre a forma de utilização desse “bilhete premiado”, como disse o Presidente Lula, embora não saibamos ainda o tamanho do prêmio. Há duas questões de fundo no debate sobre como investir os recursos que virão com exploração riqueza recém descoberta: a primeira é como utilizá-los sem prejudicar o Brasil. Parece absurdo dizer isso, mas não é. Quem nunca tomou conhecimento daquelas pessoas que ganham na loteria, e ficam sem saber o que fazer com o prêmio? Elas saem gastando: compram bens supérfluos, esbanjam. E quando se dão conta, estão pobres de novo. Pois é isso que...

Minha Escola

A poesia de cordel tá no sangue do nordestino. Meu pai não é exceção. Espero que o gene da poesia que adormece no meu DNA um dia acorde. Enquanto isso não acontece, posto aqui os versos do Seu Raimundo. Ele fala da educação que recebeu, ou, dizendo melhor, não recebeu (segundo o julgamento dele). Na minha opinião, ele é um sábio. Me criei quase cativo num tempo muito esquisito. O conselho era uma surra o telefone era um grito. Não tinha nada bonito ninguém num tinha razão. Fiquei velho no sertão, não conheci a cidade. Estudei na faculdade de enxada, foice e facão. O meu livro era uma roça. A caneta era uma enxada. Pé descalço, pele grossa. A roupa toda rasgada. Só não fiz pedir esmola. Nunca freqüentei escola. De estudo eu não sei de nada. Raimundo Nonato

Vc sabe quem

Postei ontem a foto de uma velhinha dançando polca Foi visitada por dez milhões de internautas. Meu vídeo sobre o comportamento sexual das top models Recebeu 1300 comentários. Alguém afirmou que transar com um pé de alface é coisa de pervertido. Meu post sobre o comportamento eleitoral das patricinhas Foi chamado de parcial pela mídia tradicional e proibido na maioria dos shoppings. O flasmob que eu organizei não colou. Das 700 pessoas que compareceram, 500 eram jogadores de futebol. Baixei uma palestra sobre as idiossincrasias sintáticas do sueco Mas decidi deletar porque meu pen drive de 16 gigas estava cheio. Encomendei uma biografia do Steve Jobs Mas desisti de ler livros físicos e pedi uma pizza sabor maçã. Meu álbum no Facebook provocou ira na Igreja Católica O bispo afirmou que minhas fotos incitam à prática dos pecados capitais. Recebi e-mail de um tataraneto de Lampião. Deletei pensando que era um spam. Descobri depois que se tratava de um vírus com capacidade para destruir to...

Estômago

Vi nesse fim de semana o excelente filme Estômago (Brasil/Itália, Diretor Marcos Jorge, 2008, 112 min). O filme conta a estória de Raimundo Nonato (interpretado por João Miguel) no mundo da culinária, da comida e do sexo. O ato de comer é a metáfora para entender a nossa sociedade, as relações de poder, de trabalho e de amor. Estômago é, a um só tempo, humorado e sombrio, suave e brutal. É como a comida que mais gostamos: se comemos demais, podemos passar mal. Por meio de uma montagem inteligente, Estômago nos mostra como Nonato, inicialmente tímido, foi parar na cadeia e como utiliza a arte de cozinhar para sobreviver (e algo mais...) dentro da prisão. Assisti Estômago no sábado e, no domingo, fui pra cozinha fazer o meu "bom e tradicional espaguete à bolonhesa", como disse o meu filho. Fiquei pensando sobre as relações de poder que se estabelecem em torno do alimento. Quem tem comida, ou quem sabe prepará-la, exerce poder. Cozinhar é uma arte. A obra de arte é destruíd...

Voltei

Versinhos escritos sobre a areia I Numa onda forte o biquíni cai Ai! II N'a areia espero você vem do mar O sal que carrega traz sabor diverso ao meu paladar É que eu não sabia que o sal vira mel E que em sua presença o mar vira Céu. III No céu, Lua Cheia Cabeça nas nuvens Pés na areia.