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Mostrando postagens de 2025

Sua tragédia

 Você é Édipo errante perdido parricida, regicida casado com a mãe olhos furados com as próprias mãos mas acredita que escolheu ser Você. Quem é você? Nada. a vida é sua encruzilhada.

Haicai 2

 Tropecei num haicai... Caí. Ai!

Haicai

Caminhando fiz um haicai. Caí. Ai!

Peça de Teatro Infantil (Comédia)

  Peça de Teatro Infantil (Comédia)     Operação Ursinho de Pelúcia   PERSONAGENS   Isadora Sonhadora : menina que brinca com um ursinho Beto Fake News : mentiroso compulsivo disfarçado de detetive particular Mariana Zapzap : mãe de Isadora Entregador de Pizza Repórter de TV   Abrem-se as cortinas. Isadora Sonhadora brinca com seu ursinho Platão.   Isadora Sonhadora: (cantando na melodia de nana nenê) “Dorme Platãozinho, mamãe vai te ninar! Aí que fome que eu estou, lá lá lá..... Vou fazer um bolo de cenoura. Fica aqui Platão, que volto logo!”   Ao levantar, ela deixa o urso cair debaixo da cadeira, mas não percebe.   Enquanto Isadora está fora, a TV dá uma informação urgente. Mostrando a foto do mentiroso Fake News, a repórter diz: “Atenção Muiiiiiita atenção! Fugiu da prisão o famoso mentiroso compulsivo, Beto Fake News. Ele é famoso por ter enganado todo o Brasil dizendo que a Seleção Brasileira...

Autoecografia do Eu

 (À moda de Augusto dos Anjos (pretencioso, não, né?), depois de uma provocação e mote do Enzo e do Calil) Mal saídos do ninho líquido e terno Do ventre materno já berramos Demonstrando que nada esperamos Do tempo em que temos o olho aberto A ilusão de medrar nos é por certo Inculcada sem que percebamos Mas depressa o oásis que sonhamos É apenas um trecho do deserto. E assim confundidos nesta lida Vamos vendo o fim ficar mais perto E o futuro que julgávamos aberto Se fecha para nós num poço fundo (Onde a nossa ilusão fica contida) E o choro não é mais por ver o mundo Só nos resta lamentar quão triste é a vida Pelejar e sonhar por um segundo Nascer pra morrer logo em seguida.  

Pedras, sementes e penas

 (Uma menina me falou que as coisa materiais não mereciam o seu interesse. E que em seus bolsos alguém só encontraria "pedras, sementes e penas". Belo mote, não?) Nesta vida se corre lá e cá Enquanto embranquecem as melenas E na ânsia do mundo conquistar Caem Romas, Espartas e Atenas Mas enquanto a areia sem parar Vai descendo a ampulheta numa cena A vida nos manda ir devagar E decantar para nós o puro apenas E se algo é preciso inda levar Nos meus bolsos terei coisas pequenas  Nada mais eu almejo carregar   Do que pedras, sementes e penas.

Onde o mato cresce

(No dia do aniversário de 94 anos de meu pai, escrevi)  Roceiro raiz, meu pai nunca gostou da cidade. As circunstâncias da vida o tiraram do Nordeste  e o deslocaram nas periferias de Brasília. Insatisfeito, toda noite ele repetia: "eu gosto é do mato". Os neourbanizados filhos pensavam: Que coisa mais atrasada! Mas ele seguia ainda mais desfiador:  "Eu gosto é de pegar vaca pelo chifre, caçar mocó, arrancar toco..." Isso é coisa do passado! Ousávamos pensar, mas nunca dizer. E o tempo foi passando. E a vida nunca permitiu que ele voltasse ao seu lugar de pertencimento. E ele foi esquecendo, por hábito ou por velhice, que era do mato. E o mato foi saindo do meu pai. E por não achar onde crescer no betume da cidade Foi, silenciosamente, brotando na minha cabeça. E assim, embora tarde, eu entendi meu velho.  Depois de tanta luta, Hoje eu também quero ir pro mato! Ouvir a voz do vento. Sentir o cheiro da vida em sua origem. Ver o puro breu da noite sem energia elétrica...

O Presente

 Dizem os cientistas matematicamente não existe o presente O zero entre negativos e positivos ele é tão somente Passado e futuro O que foi e o que virá, virá, virá, virá... Cansada desse eterno não lugar A mente cria o presente em três imaginários segundos Tempo necessário pra dizer lentamente “Eu te amo” Eu, no primeiro. Tu, no segundo. Amor, no terceiro. É o agora suficiente Verdadeiro (Jorge Ogum, julho de 2025)

Meninos no Eixão

Na memória de minhas pernas cansadas Na altura da 206 norte acabava a pedalada. No plano inclinado até minha casa Descansava os joelhos, soltava as asas. Eu, menino entre meninos, viajava a outro mundo. Sem vida, sem morte, mentira, verdade... Só vento na cara, sol na pele, Lei da Gravidade... (Jorge Ogum)