(No dia do aniversário de 94 anos de meu pai, escrevi) Roceiro raiz, meu pai nunca gostou da cidade. As circunstâncias da vida o tiraram do Nordeste e o deslocaram nas periferias de Brasília. Insatisfeito, toda noite ele repetia: "eu gosto é do mato". Os neourbanizados filhos pensavam: Que coisa mais atrasada! Mas ele seguia ainda mais desfiador: "Eu gosto é de pegar vaca pelo chifre, caçar mocó, arrancar toco..." Isso é coisa do passado! Ousávamos pensar, mas nunca dizer. E o tempo foi passando. E a vida nunca permitiu que ele voltasse ao seu lugar de pertencimento. E ele foi esquecendo, por hábito ou por velhice, que era do mato. E o mato foi saindo do meu pai. E por não achar onde crescer no betume da cidade Foi, silenciosamente, brotando na minha cabeça. E assim, embora tarde, eu entendi meu velho. Depois de tanta luta, Hoje eu também quero ir pro mato! Ouvir a voz do vento. Sentir o cheiro da vida em sua origem. Ver o puro breu da noite sem energia elétrica...
Dizem os cientistas matematicamente não existe o presente O zero entre negativos e positivos ele é tão somente Passado e futuro O que foi e o que virá, virá, virá, virá... Cansada desse eterno não lugar A mente cria o presente em três imaginários segundos Tempo necessário pra dizer lentamente “Eu te amo” Eu, no primeiro. Tu, no segundo. Amor, no terceiro. É o agora suficiente Verdadeiro (Jorge Ogum, julho de 2025)
Deus escreve reto por linhas tortas Deus escreve torto por linhas certas E a soberba humana quer dizer Até mesmo como Deus deve escrever Não seja esse humano vil pequeno A ditar a escrita do divino Escreva você mesmo seu destino Pelas linhas erradas que houver E se o acaso lhe deu a linha reta Isso não é garantia de progresso Pois enquanto o senhor tá escrevendo O diabo rabisca e faz sucesso.
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