Autoecografia do Eu

 (À moda de Augusto dos Anjos (pretencioso, não, né?), depois de uma provocação e mote do Enzo e do Calil)


Mal saídos do ninho líquido e terno

Do ventre materno já berramos

Demonstrando que nada esperamos

Do tempo em que temos o olho aberto

A ilusão de medrar nos é por certo

Inculcada sem que percebamos

Mas depressa o oásis que sonhamos

É apenas um trecho do deserto.

E assim confundidos nesta lida

Vamos vendo o fim ficar mais perto

E o futuro que julgávamos aberto

Se fecha para nós num poço fundo

(Onde a nossa ilusão fica contida)

E o choro não é mais por ver o mundo

Só nos resta lamentar quão triste é a vida

Pelejar e sonhar por um segundo

Nascer pra morrer logo em seguida.

 

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