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Poema Seco

De minha janela O céu de Brasília em sua beleza No chão sob as árvores Desenhos de tolha de mesa. O errático voo d'uma cigarra Que em meu ombro nu encontra pouso Depois de entrar em minha casa. Sinto pela pele a aspereza esperada. E ouve-se um canto Que é mais um grito. Mas a cigarra está calada. (Jorge Ogum)

Amanheci

O sol se esgueirava pelas frestas E pequenas manchas de calor Tocavam suavemente a pele Anunciando mais um dia sem calendário. O bule de café silvava Seria a cobra descascada no esmalte? O cheiro invadia meu quarto E todos os poros da casa. A panela de barro com feijão de corda E pedaços de toucinho pouco Esperava sua vez no fogo Mas ainda é hora do café. O padeiro não passou. É cuscuz com leite.  Vou comer ligeiro. Mil aventuras me esperam no terreiro. De longe diviso uma lata de sardinha-carro E aquela manga-boi no monturo me seduz Sai bichano, deixa meu cuscuz!