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Domingo, 6h da manhã

Olhaê, o Correioooo! Acorde, leitor Que a infância roubada desfila na rua  vendendo jornal. Sem café da manhã  Amanhã incerto Reduza o peso dos braços fatigados Pés encharcados. Mãos de tinta preta. Venha saber da inflação, da transição, da vitória do Fluminense Compre logo que na próxima esquina vou me sentar e também ler a página principal Provando, aos poucos, o sabor das letras e do mundo além das ruas lamacentas. Assim vai o menino na brecha estreita das circunstâncias saltando pedras que chamam tropeços “Foi bom pra você ter trabalhado assim.” Bom era jogar bola no campinho e ler gibi.

Dia de chuva

Maria, Maria, Se você soubesse  como gosto  de ficar  na sua cama  quando chove de dia… Todo o dia, Maria, você choveria.

Little Bang

Tantos antes Muitos mais depois, talvez Neste pequeno pedaço de tempo e espaço Queimando carbono Deixando pegadas que ninguém verá (É para poucos a notoriedade dos dinossauros) O que ficará deste trilionésimo grão de nanossegundo? Pó. Esquecimento. E mais e mais e mais e mais virão Sentados em um bar tomando margarita (Que sempre existam margaritas) Fazendo as mesmas perguntas até o fim do drink

As linhas de Deus

Deus escreve reto por linhas tortas Deus escreve torto por linhas certas E a soberba humana quer dizer Até mesmo como Deus deve escrever Não seja esse humano vil pequeno A ditar a escrita do divino Escreva você mesmo seu destino Pelas linhas erradas que houver E se o acaso lhe deu a linha reta Isso não é garantia de progresso Pois enquanto o senhor tá escrevendo O diabo rabisca e faz sucesso.

Ser e ilusão

 De onde nos vem o pensamento? Aonde nos leva o coração? Somos nós um baú de sentimentos? Ou seríamos os mestres da Razão? O pensar é apenas instrumento E o que julga saber não sabe não Sem timão vamos indo contra o vento E o controle não passa de ilusão. Muito antes de nosso nascimento Em labirintos e cantos escondidos Já estava pronto este momento Que supomos termos escolhido. Nos movemos num fio de aranha E cremos a tudo controlar Mas presos à necessidade Sem escolha nos resta acreditar. E você que se julga especial Ao seu lado alguém vai reparar Também se achando tal e tal Nessa vida a regra é se achar. Até mesmo estas linhas de espanto Por alguma razão subliminar Já estavam escritas em algum canto Tive apenas que delas me livrar.

Preguiça

Subia o bicho-preguiça devagar, devagar, devagar, devagar... Distraidamente começou a divagar, divagar, divagar, divagar... E concluiu que era preciso esperar, esperar, esperar, esperar... Pois tava agindo muito antes de pensar.