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Augúrio

Você queria colher lavanda Eu só beijar. Sempre íamos em direções opostas Eu nunca chegava lá. Você sugeriu observar os pássaros Como os romanos antigos. Eu mirava o céu Você o umbigo. Avistei uma andorinha E você reclamou da luz solar. Vi um trinta-réis a caminho do frio do sul E lembrei que 90% do iceberg fica sob a água do mar. Você era ave de outras paragens Canora e de arribação. Eu maçarico-solitá rio Sem vocação pra gavião. E voltamos às lavandas sem que você visse passarinho. Difícil tarefa é ser adivinho. (Jorge Ogum)

Cântico dos meus cânticos

Conta a lenda que um filho de Davi Errava pelos desertos de Israel E que solitário como um eremita Procurava um caminho para o Céu. Com a vista embaçada por miragens Do Paraíso desistia a sua alma Quando viu bem ao longe uma ramagem E o seu coração voltou à calma. Num oásis, a cena imprevisível Uma índia dormia nua e bela À sombra de arbustos cuja forma Parecia o salão duma capela. Tu que ouves e acionas a Razão E o improvável te faz até sorrir Se à beleza da cena dizes não Imagina o filho de Davi. O barulho da água que brotava E o corpo nu assim dormido ao léu Fez-lhe crer que agora se encontrava Não perdido, mas às portas do Céu. E ninguém é capaz de conhecer O que naquele oásis se passou. E os prazeres que ele ousou viver Logo que a selvagem acordou. É que a  fêmea misteriosa e brejeira Abriu-se para o filho de Davi E exalava flor de laranjeira Que até mesmo o Senhor pôde sentir. Diz-se então que o deserto ve...