Domingo, 6h da manhã

Olhaê, o Correioooo!
Acorde, leitor
Que a infância roubada desfila na rua 
vendendo jornal.
Sem café da manhã 
Amanhã incerto
Reduza o peso dos braços fatigados
Pés encharcados.
Mãos de tinta preta.
Venha saber da inflação, da transição,
da vitória do Fluminense
Compre logo
que na próxima esquina vou me sentar
e também ler a página principal
Provando, aos poucos, o sabor das letras
e do mundo além das ruas lamacentas.
Assim vai o menino
na brecha estreita das circunstâncias
saltando pedras que chamam tropeços
“Foi bom pra você ter trabalhado assim.”
Bom era jogar bola no campinho e ler gibi.

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